Egipto: ElBaradei fala aos manifestantes do “início de uma nova era”


Nobel da paz tinha recebido antes apoio da Irmandade Muçulmana

Egipto: ElBaradei fala aos manifestantes do “início de uma nova era”

30.01.2011 – 15:01 Por Maria João Guimarães, Sofia Lorena

Mohamed ElBaradei, que tinha sido escolhido esta manhã como o responsável que deveria “negociar” com o regime do Presidente Hosni Mubarak por vários grupos da oposição incluindo a Irmandade Muçulmana, dirigiu-se para a Praça Tahrir (Liberdade), no Cairo, e disse-lhe que o que está a acontecer é “o início de uma nova era”.

Mohamed ElBaradei chegou ao Cairo na sexta-feiraMohamed ElBaradei chegou ao Cairo na sexta-feira (Heinz-Peter Bader/Reuters)

ElBaradei, prémio Nobel da Paz pelo seu papel à frente da Agência Internacional de Energia Atómica, regressou ao Cairo na sexta-feira para participar nas manifestações sublinhando no entanto que o seu papel seria mais político.

Quando chegou à praça Tahir, disse aos milhares de manifestantes que o caminho iniciado “não volta atrás”, pediu paciência e adiantou que “a mudança chegará nos próximos dias”.

Perante a multidão, falou ainda de uma nova era para o Egipto. “Vocês tomaram os vossos direitos de volta e o que começaram não tem volta atrás”, adiantou. Antes, o Nobel da Paz já tinha dito à CNN que “Mubarak tem de sair”.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, afirmou hoje que os Estados Unidos querem ver uma transição de poder ordeira “para que ninguém preencha o vazio, e que haja um plano para um governo democrático participatório”, afirmou.

“A mensagem da América tem sido consistente”, continuou, para dizer depois algo que os EUA ainda não tinham disto durante esta crise: “Queremos ver eleições livres e justas e esperamos que isso seja um resultado do que estamos a ver agora”, afirmou.

Entretanto, ElBaradei criticou os EUA dizendo que Washington perdeu a sua credibilidade no país quando pediu mudanças democráticas mas continuou a apoiar o Presidente Hosni Mubarak.

O movimento de protesto no Egipto foi marcado on-line e os jovens ligados pelo Facebook não têm uma liderança clara.

A Irmandade Muçulmana, que apesar de banida é tolerada pelo regime, só na sexta-feira declarou o apoio aos protestos, e outros movimentos de oposição não lideraram – tentaram sim apanhar o comboio quando este já estava em marcha.

O mesmo se pode dizer de ElBaradei, que formou a Coligação Nacional para a Mudança, um grupo que junta vários grupos de oposição laica e a Irmandade.

O diplomata popular

Prémio Nobel da Paz em 2005, Mohammed ElBaradei é um bem-sucedido diplomata egípcio que goza de uma popularidade invulgar, dentro do maior dos países árabes, mas também no resto do mundo árabe e muçulmano.

Chegou ao Egipto em Fevereiro do ano passado, afirmando que queria “ser um instrumento da mudança”. Foi recebido em apoteose no aeroporto do Cairo por opositores vindos de todo o Egipto, sedentos de uma figura capaz de unificar a oposição ao regime de Mubarak.

Os media estatais começaram nessa altura a descrevê-lo como “traidor”, assumindo a esquizofrenia de o terem tratado como “herói” por causa da guerra do Iraque.

Em 2006, o regime atribuiu-lhe a Medalha do Nilo, a mais alta distinção do país. “É a maior ameaça a Mubarak desde sempre… Tornou-se num símbolo para desafiar o dinossauro”, disse Abdullah al-Ashaal, ex-diplomata.

Disse que concorreria às eleições presidenciais de Setembro se estas pudessem ser livres. Anunciou que desistiu porque isso não iria acontecer.

À frente da Agência Internacional de Energia Atómica entre 1997 e 2009, foi o rosto da precaução da ONU nos meses antes da invasão norte-americana do Iraque, em Março de 2003.

Com Hans Blix, chefe dos inspectores, deu voz às dúvidas sobre o alegado programa nuclear de Saddam e os factos deram-lhe razão.

Meses antes da guerra não teve receio de exasperar Washington, descrevendo como falsas as acusações de que Bagdad tinha comprado urânio ao Níger. De acordo com o “Washington Post”, foi espiado pela CIA.

Filho de um advogado que foi presidente da ordem e que teve de fazer frente a Gamal Abdel Nasser, nasceu em 1942 no Cairo, onde estudou. Ocupou cargos em Genebra e nos EUA e participou na equipa que negociou os acordos de Camp David, entre os países árabes, os palestinianos e Israel.

Entrou para a ONU em 1980.

“O meu pai ensinou-me que temos de ser fiéis aos nossos princípios.

Ele defendeu as liberdades cívicas e os direitos humanos nos anos mais repressivos da era de Nasser”, descreveu o diplomata de 67 anos. “Esta é a lição que retive dele.

Que devemos bater-nos por aquilo em que acreditamos.”

Notícia actualizada às 18h10

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